“É sabido que a água (H2O) é um meio essencial para
apagar o fogo, no entanto, se separarmos as suas
componentes, hidrogénio e oxigénio, qualquer uma destas
ao invés de apagar o fogo, incandesce-o ainda mais.”
(Karl Popper)
Muito se tem discutido no meio do futebol sobre metodologias de treino, principalmente no meio académico (é sabido o distanciamento que este tem dos profissionais que vão a campo com suas equipas diariamente por motivos que não cabem aqui neste texto), na busca de aprimoramento dos métodos e neste momento transcendendo-se um pouco (até agora um pouco, mas com possibilidade de se tornar algo grandioso) e vislumbrando uma possível ruptura paradigmática. Novas propostas de estruturação do treino de futebol como a Periodização Táctica construída pelo professor Vítor Frade da Universidade do Porto e apresentada para os seus alunos há cerca de trinta anos vem contribuindo muito para essa contestação ao treino analítico, fragmentado e fez emergir um novo paradigma, o da Complexidade. Essa Teoria (a da Complexidade) tendo como um de seus expoentes o francês Edgar Morin propõe a integração, a interacção, a relação entre ordem e desordem para uma reconstrução do conhecimento e para uma reorganização num nível superior ao anterior.
Devido ao sucesso de José Mourinho (primeiro e até ao momento o único treinador de Top adepto assumido da Periodização Táctica) muitos aderiram ao método, porém sem o mesmo sucesso. Talvez por colocarem a dominante táctica como norteadora do processo, muitos incorreram no mesmo equívoco do paradigma cartesiano, fragmentaram o treino de outra forma negando as outras dominantes (técnica, física e psicológica) em maior ou menor grau para cada uma delas. Para Júlio Garganta (1997) “a dimensão táctica ocupa o núcleo da estrutura de rendimento no futebol, pelo que a função principal dos demais factores, sejam eles de natureza técnica, física ou psíquica, é a de cooperar no sentido de facultarem o acesso a desempenhos tácticos de nível cada vez mais elevado”. Nesta frase do autor fica clara a interdependência entre as dominantes, atentando para o facto de que no processo de treino a equipa tenha como objectivo central atingir picos de "Performance de Jogo" e não simplesmente picos relacionados à dominante táctica. Colocar a dominante táctica como balizadora do processo ao invés da dominante física é um avanço no sentido de proporcionar um carácter mais específico, mas não se configura em mudança de paradigma (do cartesiano à complexidade) se não forem criados exercícios que correspondam ás várias situações do jogo para que todas as dominantes presentes se manifestem em simultâneo, de forma integrada. Claro que esses exercícios estarão dentro de um projecto maior, pedagógico, com construção, desconstrução e reconstrução de comportamentos, evoluindo num espiral contínuo que tem o jogar que se pretende como modelo.
Mini-jogos e jogos-reduzidos não são Periodização Táctica, pois são propostos de forma aleatória e sem manter relação entre os conteúdos anteriores e posteriores ao longo de um espaço temporal e também por, na maioria das vezes, não estarem relacionados com a forma de jogar da equipa.
É pois fundamental que as equipas trabalhem sob essa nova perspectiva considerando todas as variáveis, aprofundarem-se no conceito de complexidade para que as suas equipas não paguem com derrotas os seus erros metodológicos. Será que o grande diferencial em relação ao trabalho de campo de José Mourinho não seja fazer com que as suas equipas apresentem uma alta "Intensidade de Jogo" ao invés de uma alta "Intensidade Táctica", como ele próprio denomina? Cuidados são necessários para que conceitos não sejam confundidos e atrasem novos modelos de se trabalhar com o futebol de Formação, de Alto Rendimento e de Rendimento Superior.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Conceitos de Pressing
O “futebol de pressing”, assim chamado pelo seu criador, Rinus Michels, consistia num dispositivo táctico cujo objectivo era pressionar intensamente o adversário para recuperar a posse de bola e não ceder em nenhum momento a iniciativa de jogo ao mesmo, contando com dois requisitos básico: espírito de luta inquebrantável e excelentes níveis de preparação física. Segundo a definição do próprio Michels, o futebol de pressing era “um sistema de jogo em que todos os jogadores no campo atacam todo o tempo... ainda que não tenham a posse de bola!” pois nesta situação atacam a bola para a recuperar.
Ao utilizar-se do pressing busca-se tornar o campo pequeno para o adversário, pressionando-o tanto em espaço como em tempo. Prioritariamente, todos os espaços próximos à bola devem ser racionalmente ocupados e as linhas de passe do adversário são suprimidas e este vê-se com um reduzido número de possibilidades, tudo isso é claro se o “pressing” for bem realizado e muito bem sistematizado durante o processo de treino.
O “pressing” segundo Amieiro (2005) é uma acção colectiva defensiva de opressão sobre o portador da bola, sendo que esta acção busca diminuir o tempo e espaço de acção do mesmo. A questão colectiva passa a ser primordial nessa acção, pois o estado de pressão imposto ao adversário depende de uma ocupação inteligente e direccionada de todos os espaços necessários para que isso ocorra. Outro ponto importante citado pelo autor é de que o “pressing” não deve ser feito apenas para impedir que o adversário jogue, mas para que a sua equipa jogue, por isso esta deve ter estratégias para pressionar e dar sequência á jogada e não apenas pressionar, roubar a bola e logo em seguida perdê-la, e isso obviamente também deve ser definido durante o processo de treino. A transição ofensiva e defensiva tem plena relação com essa forma da equipa actuar.
Tratando-se de futebol de alto nível, tem-se recriminado toda forma passiva de jogar e o “pressing” tornou o acto de defender passivamente num acto agressivo de jogar defensivamente, os espaços então tornaram-se ainda mais escassos. Essas formas de “pressing” têm aspectos físicos específicos e são determinantes nos jogos, pois os jogadores devem resistir durante os noventa minutos aos estímulos da partida e reagir da melhor maneira possível conforme o modelo de jogo proposto pelo treinador.
Consideremos as seguintes variáveis:
- Espaço: refere-se à região ou sector do campo em que a pressão deve iniciar ou ser realizada;
- Tempo: relaciona-se ao momento em que deve-se iniciar a pressão, se na transição defensiva, nos passes para trás do adversário, etc e;
- Referência: diz respeito ao elemento do jogo que orientará a pressão, se a bola, o adversário ou um sector do campo, por exemplo.
As três variáveis acima citadas são essenciais para se compreender o ato de pressionar e o que o norteia. E, independentemente da opção por este ou aquele referencial, a capacidade de exercer pressing, ou seja, de gerar uma situação para o adversário que o obrigue a decidir sob condições com maior dificuldade que o habitual, dependerá do nível de compreensão que o grupo de jogadores que o aplica têm sobre o jogo. Esses conhecimentos sobre a lógica do jogo serão construídos dentro de um processo pedagógico de treino, com complexidade crescente e sempre actuando dentro da zona proximal de conhecimento do grupo de atletas.
Esse conceito foi criado e popularizado pelo treinador holandês e ficou em evidência principalmente após o Campeonato do Mundo de 1974 devido à excelente campanha que a selecção da Holanda realizou durante aquele mundial. Apresentando um futebol fantástico, inclusive com a denominação de “Carrossel Holandês” pela alta rotatividade de movimentações que a equipa demonstrava em campo, o “pressing” tornou-se desde então uma característica das equipas de alto nível, que vêem nessa forma de jogar um meio para controlar e / ou dominar as partidas.
Ao utilizar-se do pressing busca-se tornar o campo pequeno para o adversário, pressionando-o tanto em espaço como em tempo. Prioritariamente, todos os espaços próximos à bola devem ser racionalmente ocupados e as linhas de passe do adversário são suprimidas e este vê-se com um reduzido número de possibilidades, tudo isso é claro se o “pressing” for bem realizado e muito bem sistematizado durante o processo de treino.
O “pressing” segundo Amieiro (2005) é uma acção colectiva defensiva de opressão sobre o portador da bola, sendo que esta acção busca diminuir o tempo e espaço de acção do mesmo. A questão colectiva passa a ser primordial nessa acção, pois o estado de pressão imposto ao adversário depende de uma ocupação inteligente e direccionada de todos os espaços necessários para que isso ocorra. Outro ponto importante citado pelo autor é de que o “pressing” não deve ser feito apenas para impedir que o adversário jogue, mas para que a sua equipa jogue, por isso esta deve ter estratégias para pressionar e dar sequência á jogada e não apenas pressionar, roubar a bola e logo em seguida perdê-la, e isso obviamente também deve ser definido durante o processo de treino. A transição ofensiva e defensiva tem plena relação com essa forma da equipa actuar.
Tratando-se de futebol de alto nível, tem-se recriminado toda forma passiva de jogar e o “pressing” tornou o acto de defender passivamente num acto agressivo de jogar defensivamente, os espaços então tornaram-se ainda mais escassos. Essas formas de “pressing” têm aspectos físicos específicos e são determinantes nos jogos, pois os jogadores devem resistir durante os noventa minutos aos estímulos da partida e reagir da melhor maneira possível conforme o modelo de jogo proposto pelo treinador.
Consideremos as seguintes variáveis:
- Espaço: refere-se à região ou sector do campo em que a pressão deve iniciar ou ser realizada;
- Tempo: relaciona-se ao momento em que deve-se iniciar a pressão, se na transição defensiva, nos passes para trás do adversário, etc e;
- Referência: diz respeito ao elemento do jogo que orientará a pressão, se a bola, o adversário ou um sector do campo, por exemplo.
As três variáveis acima citadas são essenciais para se compreender o ato de pressionar e o que o norteia. E, independentemente da opção por este ou aquele referencial, a capacidade de exercer pressing, ou seja, de gerar uma situação para o adversário que o obrigue a decidir sob condições com maior dificuldade que o habitual, dependerá do nível de compreensão que o grupo de jogadores que o aplica têm sobre o jogo. Esses conhecimentos sobre a lógica do jogo serão construídos dentro de um processo pedagógico de treino, com complexidade crescente e sempre actuando dentro da zona proximal de conhecimento do grupo de atletas.
Esse conceito foi criado e popularizado pelo treinador holandês e ficou em evidência principalmente após o Campeonato do Mundo de 1974 devido à excelente campanha que a selecção da Holanda realizou durante aquele mundial. Apresentando um futebol fantástico, inclusive com a denominação de “Carrossel Holandês” pela alta rotatividade de movimentações que a equipa demonstrava em campo, o “pressing” tornou-se desde então uma característica das equipas de alto nível, que vêem nessa forma de jogar um meio para controlar e / ou dominar as partidas.
domingo, 17 de abril de 2011
O Barcelona e a sua Qualidade De Jogo
O Futebol apresentado pelo Barcelona, nos últimos anos, tem chamado a atenção de todos os que acompanham essa equipa. Pela forma como ganham os jogos e com uma diferença de golos assinalável, com uma qualidade de jogo consistente, alguns factores emergem como destaques positivos. Dentro de uma cultura de jogo muito definida (pode-se dizer também que há uma cultura do clube que engloba uma cultura de jogo), os comportamentos no jogo (na sua maioria) são balizados por essa cultura, tendo por consequência padrões de movimentação que, apesar de bem sistematizados, interagem bem com o jogo do adversário criando as adequações necessárias na grande maioria das vezes em que é preciso para resolver as adversidades que o jogo propõe.
O Jogo do Barcelona é construído numa Plataforma Táctica de 4-3-3 com um guarda-redes muito activo dentro dos quatro momentos do jogo (organização ofensiva, transição ataque-defesa, organização defensiva e transição defesa-ataque), uma linha de quatro jogadores a sua frente muito habituada a jogar avançada, um meio campo com três jogadores disposto estruturalmente em um triângulo apontado para trás e três atacantes que mantêm com uma certa regularidade também uma estrutura em triângulo, porém apontada para a frente. O foco desse artigo está prioritariamente nesses dois triângulos formados pelos seis jogadores (linha de meio campo e de ataque), porém sem jamais desconsiderar que sistematicamente estão intimamente relacionados com as dinâmicas de toda a equipa.
O Barcelona em Organização Ofensiva, cria situações favoráveis à circulação e manutenção da posse de bola. É interessante observar a reacção da equipa como um todo e dos jogadores que se comportam simultaneamente para atender a essa necessidade (manutenção da bola). São as convenções colectivas da qual todos compactuam, construídas dentro do processo de treino que alguns jogadores dessa equipa vivenciam desde o início da formação nas categorias de base do clube, que permitem tal feito com tanta eficácia.
Com a defesa avançada tentam diminuir o espaço efectivo de jogo do adversário havendo uma sobreposição devido á subida dos medios (Iniesta e Xavi) que pressionam o portador da bola para desqualificar (no sentido de diminuir a qualidade) qualquer tentativa do adversário. É o “campo pequeno a defender” neste caso, porém com um espaço muito grande para ser gerido nas costas da linha de defesa.
Assim como nos outros três momentos, em organização ofensiva, os jogadores relacionam-se (relações internas do sector e relações com outros sectores) sectorialmente para que a macroestrutura Equipa possa atingir seus objectivos (marcar golos e vencer jogos). Na tentativa de desequilibrar o adversário, várias trocas acontecem, jogadores “atacam” espaços vazios, o lateral oposto mantêm a boa amplitude da equipa, atacantes aproximam-se e afastam-se, alguns jogadores ficam em zonas sem pressão para uma necessidade de retirada da bola da zona de pressão e outra infinidade de possibilidades.
Há interacções permanentes numa equipa de futebol. Em todas, sem excepção. A qualidade das interacções é algo único, que pertence a cada equipa, sendo um dos factores que lhe dão identidade. Os princípios de jogo que regem essas estruturas vão diferenciá-las em fixas e móveis. Basicamente, nas estruturas fixas poucas trocas acontecem (como no caso da linha de defesa do Barcelona) com uma maior rigidez posicional e as estruturas móveis são caracterizadas por muitas trocas (linha de meio campo do Barcelona, principalmente os jogadores Xavi e Iniesta). Interessante como independente do tipo de estrutura da equipa, a mobilidade ocorre sem descaracterizar a equipa do ponto de vista organizacional.
Ao direccionar o olhar para as estruturas, deve ter-se muito claro que existe uma dinâmica permanente que a mantêm, não é algo estanque, parado ou morto. E a “vida” que a equipe manifesta surge desse movimento constante.
O Jogo do Barcelona é construído numa Plataforma Táctica de 4-3-3 com um guarda-redes muito activo dentro dos quatro momentos do jogo (organização ofensiva, transição ataque-defesa, organização defensiva e transição defesa-ataque), uma linha de quatro jogadores a sua frente muito habituada a jogar avançada, um meio campo com três jogadores disposto estruturalmente em um triângulo apontado para trás e três atacantes que mantêm com uma certa regularidade também uma estrutura em triângulo, porém apontada para a frente. O foco desse artigo está prioritariamente nesses dois triângulos formados pelos seis jogadores (linha de meio campo e de ataque), porém sem jamais desconsiderar que sistematicamente estão intimamente relacionados com as dinâmicas de toda a equipa.
O Barcelona em Organização Ofensiva, cria situações favoráveis à circulação e manutenção da posse de bola. É interessante observar a reacção da equipa como um todo e dos jogadores que se comportam simultaneamente para atender a essa necessidade (manutenção da bola). São as convenções colectivas da qual todos compactuam, construídas dentro do processo de treino que alguns jogadores dessa equipa vivenciam desde o início da formação nas categorias de base do clube, que permitem tal feito com tanta eficácia.
Com a defesa avançada tentam diminuir o espaço efectivo de jogo do adversário havendo uma sobreposição devido á subida dos medios (Iniesta e Xavi) que pressionam o portador da bola para desqualificar (no sentido de diminuir a qualidade) qualquer tentativa do adversário. É o “campo pequeno a defender” neste caso, porém com um espaço muito grande para ser gerido nas costas da linha de defesa.
Assim como nos outros três momentos, em organização ofensiva, os jogadores relacionam-se (relações internas do sector e relações com outros sectores) sectorialmente para que a macroestrutura Equipa possa atingir seus objectivos (marcar golos e vencer jogos). Na tentativa de desequilibrar o adversário, várias trocas acontecem, jogadores “atacam” espaços vazios, o lateral oposto mantêm a boa amplitude da equipa, atacantes aproximam-se e afastam-se, alguns jogadores ficam em zonas sem pressão para uma necessidade de retirada da bola da zona de pressão e outra infinidade de possibilidades.
Há interacções permanentes numa equipa de futebol. Em todas, sem excepção. A qualidade das interacções é algo único, que pertence a cada equipa, sendo um dos factores que lhe dão identidade. Os princípios de jogo que regem essas estruturas vão diferenciá-las em fixas e móveis. Basicamente, nas estruturas fixas poucas trocas acontecem (como no caso da linha de defesa do Barcelona) com uma maior rigidez posicional e as estruturas móveis são caracterizadas por muitas trocas (linha de meio campo do Barcelona, principalmente os jogadores Xavi e Iniesta). Interessante como independente do tipo de estrutura da equipa, a mobilidade ocorre sem descaracterizar a equipa do ponto de vista organizacional.
Ao direccionar o olhar para as estruturas, deve ter-se muito claro que existe uma dinâmica permanente que a mantêm, não é algo estanque, parado ou morto. E a “vida” que a equipe manifesta surge desse movimento constante.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Futebol e Alimentação - As vitórias podem começar aqui
Os hidratos de carbono, também conhecidos por glícidos ou açúcares, devem representar a principal fonte de energia da nossa alimentação, entre 55% a 75%. Devem, por isso, ser a base da nossa alimentação diária.
Os hidratos de carbono são o melhor combustível para as células, proporcionam a energia química necessária para as funções corporais, exercício muscular, manutenção da temperatura, digestão e assimilação de nutrientes, entre outras.
São imprescindíveis para os desportistas, pois ajudam a evitar o esgotamento e a fadiga muscular quando acaba o glicogénio muscular.
Em repouso, os hidratos de carbono fornecem 40% da energia, em movimento, chegam a contribuir em 50% ou mais, especialmente nos exercícios de resistência mais prolongados (entre 90 a 120 minutos).
Por esta razão, as refeições ricas em hidratos estão associadas à resistência: maratonistas, ciclistas, triatletas, etc.
Tipos de Hidratos de Carbono
Dum ponto de vista estrutural, os hidratos de carbono estão agrupados em 3 tipos diferentes de açúcares:
• Monossacarídeos – frutose (presente no mel e nas frutas), glicose (fruta, mel, alguns vegetais) e galactose.
• Dissacarídeos – Lactose (leite), sacarose (açúcar), maltose (obtida por hidrólise dos amidos).
• Polissacarídeos – Glicogénio, amido, dextrina e celulose.
Os mono e os dissacarídeos são frequentemente denominados hidratos de carbono simples, porque são facilmente digeríveis e facilmente absorvidos pelo organismo. Têm a particularidade de apresentarem sabor doce e estão presentes em grande quantidade em alimentos como o açúcar e o mel, produtos de pastelaria e confeitaria, compotas, refrigerantes, etc.
Por sua vez, os polissacarídeos são denominados hidratos de carbono complexos, devido à sua lenta digestão e absorção. As principais fontes são cereais e derivados (arroz, pão, massas, etc.), tubérculos (batata), leguminosas secas (feijão, grão de bico, lentilhas, etc.).
Alimentos ricos em hidratos de carbono
Cereais integrais (arroz integral, trigo-preto, milho, muesli, aveia, bolachas integrais, pão integral, massa integral)
Derivados de cereais refinados (pão branco, bolos de pão, farinha de trigo, massa, cereais de pequeno-almoço, arroz branco)
Féculas (feijão, milho, batatas, abóbora, batata-doce)
Fruta (maçãs, peras, alperces, bananas, frutos do bosque, melão, cerejas, frutos secos, figos, sumos de frutas, compotas de frutas, marmeladas, etc.)
Lácteos (gelado de leite, leite, iogurte, queijo)
Frutos secos (castanhas, nozes, amêndoas, avelãs, etc.)
Produtos desportivos (barrita de cereais, bebidas energéticas, geles, glucose, etc.)
Vantagens/desvantagens de certos alimentos
Após referidos os hidratos de carbono, os nutrientes mais importantes na alimentação de um atleta, iremos referir outros alimentos bastante importantes na alimentação do mesmo.
Fruta
É um facto que a fruta e os legumes são pobres em calorias, logo, pouco interessantes para os atletas com grandes necessidades de glícidos e de proteínas, mas estes alimentos contêm vitaminas e oligoelementos.
Muitos atletas sabem que se não comerem glícidos/hidratos de carbono (arroz, massa, batatas, pão), em quantidades suficientes, não conseguiram aguentar o treino. Também é importante na alimentação dos atletas a proteína. A ingestão insuficiente de uma destas duas categorias de alimentos pode trazer ao atleta alguns problemas de saúde, como fadiga, má recuperação pós treino, problemas de concentração.
Assim, a ingestão destas categorias de alimentos são as mais importantes para um atleta, as frutas e os legumes ficam sempre para último plano. É assim importante que um atleta aumente a ingestão de vitaminas, sobretudo C e E, que favorecem a recuperação, pois estas vitaminas possuem propriedades antioxidantes, ou seja, ajudam a neutralizar os venenos fabricados durante a aceleração das reações químicas que sobrevêm ao esforço. Estas vitaminas preservam assim a integridades dos nossos tecidos.
Peixe
Com menos calorias, menos gordura, rico em nutrientes, oferece uma abundância em minerais como: iodo, magnésio, cálcio, fósforo, ferro, potássio, cobre e flúor.
Água
Uma boa hidratação é fundamental no desporto, não só porque o rendimento de um atleta diminui com o aumento da desidratação, mas também porque certas lesões desportivas como, por exemplo, roturas musculares, são mais frequentes quando há desidratação.
A quantidade de água a administrar diariamente varia em função do trabalho muscular, temperatura, altitude e humidade ambiente, devendo no mínimo ser fornecido 1 ml de água por cada caloria da ração alimentar, ingerindo, no mínimo, 3 litros de água por dia, sendo 1,5 litros como bebida e 1,5 litros incorporados nos alimentos.
O ideal será que o atleta nunca sinta sede, para o que será necessário ir administrando pequenas quantidades de água, quer na fase pré-competitiva, quer durante a competição.
Comida e bebidas energéticas
Bebidas energéticas
Composição: cafeína, guaraná, taurina, ginseng, inositol, carmitina, creatina e outros.
O que se diz: Combatem o cansaço físico, aumentam o poder de concentração para o trabalho e os estudos e aumentam a sede.
O que se sabe: Cada lata de 250 mililitros equivale a um café. A taurina e os carboidratos aumentam a sensação de bem-estar, potencializando os efeitos da cafeína.
Dose máxima recomendada: Até 3 miligramas de cafeína, diariamente, por quilo de peso corporal, o que equivale a duas latas para uma pessoa de 60 quilos ou três latas para uma de 80 quilos.
Riscos do abuso: Tremores nas mãos, arritmia, náusea, irritabilidade e insónia. O uso crónico pode levar a quadros de gastrite e agravar a hipertensão.
Comida
Para os atletas, o principal objetivo de ter uma alimentação adequada consiste em proporcionar quantidades ideais de energia ao corpo. Existem três principais grupos: os energéticos, os construtores e reguladores, devendo cada refeição conter um ou mais alimentos de cada grupo, de maneira a gerar um equilíbrio nutricional.
• Energéticos: cereais, massas, pães, batata, arroz e frutas. Fornecem a principal fonte de energia para o organismo.
• Construtores: carnes, leite e derivados, e ovos. Promovem o reparo e a construção dos tecidos durante processos catabólicos e anabólicos.
• Reguladores: frutas e verduras. Facilitam a transferência de energia e a síntese dos tecidos, além de serem antioxidantes, prevenindo o envelhecimento das células.
Abaixo seguem alguns itens que devem ser levados em consideração:
- Comer uma ampla variedade de alimentos é muito importante, pois nenhum alimento pode oferecer todos os nutrientes necessários;
- Uma dieta com alto teor de carboidratos complexos e baixo teor de gordura beneficia o atleta;
- O consumo de carboidratos antes e durante atividades de longa duração mantém a quantidade adequada de glicogénio (energia armazenada);
- Atletas de força precisam de quantidades ideais de proteínas, que pode variar de 1,0g/kg peso/dia a 2,0 ou 2,5g/kg peso/dia dependendo da intensidade dos exercícios;
- Deve-se ingerir água até, em média, 2 horas de exercício, se este se estender, a hidratação com o consumo de soluções isotónicas torna-se mais eficiente;
- Vitaminas C, E, A e do complexo B e minerais como potássio, sódio, ferro e zinco devem ser bastante consumidos por praticantes de atividade física;
- Óleos e gorduras em geral, também são importantes para o organismo, fornecendo energia, mas devem ser consumidos moderadamente.
Alimentação antes e depois da competição
Antes
Deverá ser uma refeição normocalórica, equilibrada nos seus constituintes, sendo estes, proteínas, gorduras e hidratos de carbono, de fácil digestão, e que não provoquem flatulência.
Esta refeição, tem que ser sempre respeitada, deverá ser ingerida no mínimo 3 horas e no máximo 4 horas antes da competição.
Depois
Logo após a competição deverá ser ingerido leite, sumos de fruta natural e água alcalina açucarada.
De seguida, uma refeição com pelo menos 70% de hidratos de carbono. Deverá, também, ser uma refeição rica em vitaminas e minerais. As proteínas de origem animal, embora acidificantes, poderão ser usadas moderadamente. Nomeadamente:
• Sopa de legumes;
• Carne ou peixe grelhados;
• Arroz, massa ou batata;
• Pão;
• Queijo;
• Bolo ou tarte;
• Fruta madura;
• Frutos secos.
Nutrição para uma rápida recuperação
O corpo está mais recetivo aos líquidos, hidratos de carbono e outros nutrientes logo após a prática de desporto. No entanto, a recuperação pode ser um desafio, tendo que fazer malabarismos e comer e beber alternadamente com outros compromissos logo após a competição, como falar com treinadores, impressa ou companheiros de jogo.
O foco da recuperação é, essencialmente, em prepará-lo para a sua próxima sessão de treino ou evento desportivo. Os objetivos são:
• Substituir o glicogénio muscular e hepático armazenados,
• Substituição de fluidos e eletrólitos perdidos no suor,
• Reparar os danos causados pelo exercício.
A melhor fonte de energia a utilizar são alimentos ricos em hidratos de carbono, já que estes alimentos vão substituir as reservas esgotadas de glicogénio durante a atividade. A recuperação será mais eficaz durante as primeiras horas após o exercício. Este facto é ainda mais importante quando o desportista tem uma outra atividade em menos de oito horas.
Os hidratos de carbono são o melhor combustível para as células, proporcionam a energia química necessária para as funções corporais, exercício muscular, manutenção da temperatura, digestão e assimilação de nutrientes, entre outras.
São imprescindíveis para os desportistas, pois ajudam a evitar o esgotamento e a fadiga muscular quando acaba o glicogénio muscular.
Em repouso, os hidratos de carbono fornecem 40% da energia, em movimento, chegam a contribuir em 50% ou mais, especialmente nos exercícios de resistência mais prolongados (entre 90 a 120 minutos).
Por esta razão, as refeições ricas em hidratos estão associadas à resistência: maratonistas, ciclistas, triatletas, etc.
Tipos de Hidratos de Carbono
Dum ponto de vista estrutural, os hidratos de carbono estão agrupados em 3 tipos diferentes de açúcares:
• Monossacarídeos – frutose (presente no mel e nas frutas), glicose (fruta, mel, alguns vegetais) e galactose.
• Dissacarídeos – Lactose (leite), sacarose (açúcar), maltose (obtida por hidrólise dos amidos).
• Polissacarídeos – Glicogénio, amido, dextrina e celulose.
Os mono e os dissacarídeos são frequentemente denominados hidratos de carbono simples, porque são facilmente digeríveis e facilmente absorvidos pelo organismo. Têm a particularidade de apresentarem sabor doce e estão presentes em grande quantidade em alimentos como o açúcar e o mel, produtos de pastelaria e confeitaria, compotas, refrigerantes, etc.
Por sua vez, os polissacarídeos são denominados hidratos de carbono complexos, devido à sua lenta digestão e absorção. As principais fontes são cereais e derivados (arroz, pão, massas, etc.), tubérculos (batata), leguminosas secas (feijão, grão de bico, lentilhas, etc.).
Alimentos ricos em hidratos de carbono
Cereais integrais (arroz integral, trigo-preto, milho, muesli, aveia, bolachas integrais, pão integral, massa integral)
Derivados de cereais refinados (pão branco, bolos de pão, farinha de trigo, massa, cereais de pequeno-almoço, arroz branco)
Féculas (feijão, milho, batatas, abóbora, batata-doce)
Fruta (maçãs, peras, alperces, bananas, frutos do bosque, melão, cerejas, frutos secos, figos, sumos de frutas, compotas de frutas, marmeladas, etc.)
Lácteos (gelado de leite, leite, iogurte, queijo)
Frutos secos (castanhas, nozes, amêndoas, avelãs, etc.)
Produtos desportivos (barrita de cereais, bebidas energéticas, geles, glucose, etc.)
Vantagens/desvantagens de certos alimentos
Após referidos os hidratos de carbono, os nutrientes mais importantes na alimentação de um atleta, iremos referir outros alimentos bastante importantes na alimentação do mesmo.
Fruta
É um facto que a fruta e os legumes são pobres em calorias, logo, pouco interessantes para os atletas com grandes necessidades de glícidos e de proteínas, mas estes alimentos contêm vitaminas e oligoelementos.
Muitos atletas sabem que se não comerem glícidos/hidratos de carbono (arroz, massa, batatas, pão), em quantidades suficientes, não conseguiram aguentar o treino. Também é importante na alimentação dos atletas a proteína. A ingestão insuficiente de uma destas duas categorias de alimentos pode trazer ao atleta alguns problemas de saúde, como fadiga, má recuperação pós treino, problemas de concentração.
Assim, a ingestão destas categorias de alimentos são as mais importantes para um atleta, as frutas e os legumes ficam sempre para último plano. É assim importante que um atleta aumente a ingestão de vitaminas, sobretudo C e E, que favorecem a recuperação, pois estas vitaminas possuem propriedades antioxidantes, ou seja, ajudam a neutralizar os venenos fabricados durante a aceleração das reações químicas que sobrevêm ao esforço. Estas vitaminas preservam assim a integridades dos nossos tecidos.
Peixe
Com menos calorias, menos gordura, rico em nutrientes, oferece uma abundância em minerais como: iodo, magnésio, cálcio, fósforo, ferro, potássio, cobre e flúor.
Água
Uma boa hidratação é fundamental no desporto, não só porque o rendimento de um atleta diminui com o aumento da desidratação, mas também porque certas lesões desportivas como, por exemplo, roturas musculares, são mais frequentes quando há desidratação.
A quantidade de água a administrar diariamente varia em função do trabalho muscular, temperatura, altitude e humidade ambiente, devendo no mínimo ser fornecido 1 ml de água por cada caloria da ração alimentar, ingerindo, no mínimo, 3 litros de água por dia, sendo 1,5 litros como bebida e 1,5 litros incorporados nos alimentos.
O ideal será que o atleta nunca sinta sede, para o que será necessário ir administrando pequenas quantidades de água, quer na fase pré-competitiva, quer durante a competição.
Comida e bebidas energéticas
Bebidas energéticas
Composição: cafeína, guaraná, taurina, ginseng, inositol, carmitina, creatina e outros.
O que se diz: Combatem o cansaço físico, aumentam o poder de concentração para o trabalho e os estudos e aumentam a sede.
O que se sabe: Cada lata de 250 mililitros equivale a um café. A taurina e os carboidratos aumentam a sensação de bem-estar, potencializando os efeitos da cafeína.
Dose máxima recomendada: Até 3 miligramas de cafeína, diariamente, por quilo de peso corporal, o que equivale a duas latas para uma pessoa de 60 quilos ou três latas para uma de 80 quilos.
Riscos do abuso: Tremores nas mãos, arritmia, náusea, irritabilidade e insónia. O uso crónico pode levar a quadros de gastrite e agravar a hipertensão.
Comida
Para os atletas, o principal objetivo de ter uma alimentação adequada consiste em proporcionar quantidades ideais de energia ao corpo. Existem três principais grupos: os energéticos, os construtores e reguladores, devendo cada refeição conter um ou mais alimentos de cada grupo, de maneira a gerar um equilíbrio nutricional.
• Energéticos: cereais, massas, pães, batata, arroz e frutas. Fornecem a principal fonte de energia para o organismo.
• Construtores: carnes, leite e derivados, e ovos. Promovem o reparo e a construção dos tecidos durante processos catabólicos e anabólicos.
• Reguladores: frutas e verduras. Facilitam a transferência de energia e a síntese dos tecidos, além de serem antioxidantes, prevenindo o envelhecimento das células.
Abaixo seguem alguns itens que devem ser levados em consideração:
- Comer uma ampla variedade de alimentos é muito importante, pois nenhum alimento pode oferecer todos os nutrientes necessários;
- Uma dieta com alto teor de carboidratos complexos e baixo teor de gordura beneficia o atleta;
- O consumo de carboidratos antes e durante atividades de longa duração mantém a quantidade adequada de glicogénio (energia armazenada);
- Atletas de força precisam de quantidades ideais de proteínas, que pode variar de 1,0g/kg peso/dia a 2,0 ou 2,5g/kg peso/dia dependendo da intensidade dos exercícios;
- Deve-se ingerir água até, em média, 2 horas de exercício, se este se estender, a hidratação com o consumo de soluções isotónicas torna-se mais eficiente;
- Vitaminas C, E, A e do complexo B e minerais como potássio, sódio, ferro e zinco devem ser bastante consumidos por praticantes de atividade física;
- Óleos e gorduras em geral, também são importantes para o organismo, fornecendo energia, mas devem ser consumidos moderadamente.
Alimentação antes e depois da competição
Antes
Deverá ser uma refeição normocalórica, equilibrada nos seus constituintes, sendo estes, proteínas, gorduras e hidratos de carbono, de fácil digestão, e que não provoquem flatulência.
Esta refeição, tem que ser sempre respeitada, deverá ser ingerida no mínimo 3 horas e no máximo 4 horas antes da competição.
Depois
Logo após a competição deverá ser ingerido leite, sumos de fruta natural e água alcalina açucarada.
De seguida, uma refeição com pelo menos 70% de hidratos de carbono. Deverá, também, ser uma refeição rica em vitaminas e minerais. As proteínas de origem animal, embora acidificantes, poderão ser usadas moderadamente. Nomeadamente:
• Sopa de legumes;
• Carne ou peixe grelhados;
• Arroz, massa ou batata;
• Pão;
• Queijo;
• Bolo ou tarte;
• Fruta madura;
• Frutos secos.
Nutrição para uma rápida recuperação
O corpo está mais recetivo aos líquidos, hidratos de carbono e outros nutrientes logo após a prática de desporto. No entanto, a recuperação pode ser um desafio, tendo que fazer malabarismos e comer e beber alternadamente com outros compromissos logo após a competição, como falar com treinadores, impressa ou companheiros de jogo.
O foco da recuperação é, essencialmente, em prepará-lo para a sua próxima sessão de treino ou evento desportivo. Os objetivos são:
• Substituir o glicogénio muscular e hepático armazenados,
• Substituição de fluidos e eletrólitos perdidos no suor,
• Reparar os danos causados pelo exercício.
A melhor fonte de energia a utilizar são alimentos ricos em hidratos de carbono, já que estes alimentos vão substituir as reservas esgotadas de glicogénio durante a atividade. A recuperação será mais eficaz durante as primeiras horas após o exercício. Este facto é ainda mais importante quando o desportista tem uma outra atividade em menos de oito horas.
Principíos do Treino Desportivo
O treino é um processo complicado na qual se manifestam diferentes níveis, princípios e leis. A sua enumeração varia muito de autor para autor.
Contudo e apesar destas dificuldades existe um consenso generalizado acerca da necessidade de olhar do mesmo modo para a inter-relação existente entre os diferentes princípios do treino, se bem que por vezes seja difícil especificar onde termina a aplicação de um principio e começa a de outro.
De facto todos os princípios estão ligados entre si, completam-se e condicionam-se reciprocamente. Nenhum pode actuar isoladamente.
1 – Principio da Individualização
A individualização do treino é uma das exigências do treino e diz respeito ao facto de que cada atleta, independentemente do nível de prestação, deverá ser tratado de acordo com as suas capacidades, potencial, características da aprendizagem e especificidade da modalidade
2 – Principio da Variedade
A capacidade do treinador em criar, ser inventivo e trabalhar com imaginação, representa uma importante vantagem para uma variedade do treino bem sucedida. O treinador deve conceber o seu plano com uma grande variedade de exercícios.
3 – Principio da Especialização
Quer se treine numa piscina, num ginásio ou numa pista de atletismo, no início de uma carreira desportiva, as intenções e motivações de qualquer um vão na direcção da especialização de uma modalidade desportiva. A especialização ou do mesmo modo os exercícios específicos de uma modalidade ou prova levam a alterações morfológicas e funcionais relacionadas com a especificidade de cada modalidade.
4 – Principio da Especificidade
De acordo com este princípio poderemos fazer afirmações do seguinte tipo:
- Treine-se para correr e você será bom na corrida
- Treine-se para levantar pesos e será bom Halterofilista
5 – Princípio da Progressão
A melhoria dos resultados é consequência directa da quantidade e qualidade do trabalho desenvolvido no treino. Da fase inicial do treino até aos atletas de alto nível, a carga de treino deverá ser gradualmente aumentada de acordo com as necessidades e capacidades fisiológicas e psicológicas individuais.
6 – Princípio da Acessibilidade
Acessibilidade, significa que cada coisa que se exige, deve estar de acordo com as possibilidades de prestação de cada individuo, ou seja, é preciso relacionar as possibilidades dos praticantes com as dificuldades das tarefas propostas, entrando em linha de conta com a idade, sexo, nível de preparação anterior, capacidades físicas e psicológicas. Importa no entanto referir que ser acessível não é o mesmo que ser fácil.
7 – Princípio da Continuidade
È evidente que o efeito do treino nos atletas efectuado com regularidade é totalmente diferente para melhor do que aquele que é realizado de forma esporádica. As quebras da continuidade dos treinos são um factor que contribui para o aparecimento de lesões.
8 – Princípio da Reversibilidade
Embora em estreita relação com o princípio anterior, enuncia-se também para colocar em evidência um aspecto importante e que diz respeito a uma das características fundamentais dos efeitos benéficos dos exercícios de treino. As adaptações feitas ao organismo com o treino não são eternas e perdem-se com maior ou menor rapidez se não forem de novo estimuladas.
CONCLUSÔES
O respeito por estes princípios, visa defender os desportistas de qualquer riscos e inconvenientes, permite melhorar a sua saúde, a sua capacidade de trabalho geral e especifica, a sua disponibilidade para o treino e competição, garante as melhores condições para a sua evolução biológica e fortalecimento da sua personalidade
Contudo e apesar destas dificuldades existe um consenso generalizado acerca da necessidade de olhar do mesmo modo para a inter-relação existente entre os diferentes princípios do treino, se bem que por vezes seja difícil especificar onde termina a aplicação de um principio e começa a de outro.
De facto todos os princípios estão ligados entre si, completam-se e condicionam-se reciprocamente. Nenhum pode actuar isoladamente.
1 – Principio da Individualização
A individualização do treino é uma das exigências do treino e diz respeito ao facto de que cada atleta, independentemente do nível de prestação, deverá ser tratado de acordo com as suas capacidades, potencial, características da aprendizagem e especificidade da modalidade
2 – Principio da Variedade
A capacidade do treinador em criar, ser inventivo e trabalhar com imaginação, representa uma importante vantagem para uma variedade do treino bem sucedida. O treinador deve conceber o seu plano com uma grande variedade de exercícios.
3 – Principio da Especialização
Quer se treine numa piscina, num ginásio ou numa pista de atletismo, no início de uma carreira desportiva, as intenções e motivações de qualquer um vão na direcção da especialização de uma modalidade desportiva. A especialização ou do mesmo modo os exercícios específicos de uma modalidade ou prova levam a alterações morfológicas e funcionais relacionadas com a especificidade de cada modalidade.
4 – Principio da Especificidade
De acordo com este princípio poderemos fazer afirmações do seguinte tipo:
- Treine-se para correr e você será bom na corrida
- Treine-se para levantar pesos e será bom Halterofilista
5 – Princípio da Progressão
A melhoria dos resultados é consequência directa da quantidade e qualidade do trabalho desenvolvido no treino. Da fase inicial do treino até aos atletas de alto nível, a carga de treino deverá ser gradualmente aumentada de acordo com as necessidades e capacidades fisiológicas e psicológicas individuais.
6 – Princípio da Acessibilidade
Acessibilidade, significa que cada coisa que se exige, deve estar de acordo com as possibilidades de prestação de cada individuo, ou seja, é preciso relacionar as possibilidades dos praticantes com as dificuldades das tarefas propostas, entrando em linha de conta com a idade, sexo, nível de preparação anterior, capacidades físicas e psicológicas. Importa no entanto referir que ser acessível não é o mesmo que ser fácil.
7 – Princípio da Continuidade
È evidente que o efeito do treino nos atletas efectuado com regularidade é totalmente diferente para melhor do que aquele que é realizado de forma esporádica. As quebras da continuidade dos treinos são um factor que contribui para o aparecimento de lesões.
8 – Princípio da Reversibilidade
Embora em estreita relação com o princípio anterior, enuncia-se também para colocar em evidência um aspecto importante e que diz respeito a uma das características fundamentais dos efeitos benéficos dos exercícios de treino. As adaptações feitas ao organismo com o treino não são eternas e perdem-se com maior ou menor rapidez se não forem de novo estimuladas.
CONCLUSÔES
O respeito por estes princípios, visa defender os desportistas de qualquer riscos e inconvenientes, permite melhorar a sua saúde, a sua capacidade de trabalho geral e especifica, a sua disponibilidade para o treino e competição, garante as melhores condições para a sua evolução biológica e fortalecimento da sua personalidade
quinta-feira, 31 de março de 2011
Caracteristicas dos Meus Jogadores
CARACTERIZAÇÃO DOS JOGADORES NO MEU MODELO
CARACTERÍSTICAS DOS GUARDA REDES
- ESTATURA MÉDIA ALTA
- BOAS MÃOS
- AGILIDADE
- BOM POSICIONAMENTO
- BONS TÉCNICA DE PÉS
- COMUNICATIVO
CARACTERÍSTICAS DOS LATERAIS
- FORTES DEFENSIVAMENTE
- BOA ARTICULAÇÃO COM O MÉDIO ALA, MÉDIO INTERIOR E PONTA
DE LANÇA
- EVOLUÍDO TECNICAMENTE
- RÁPIDO
- SENTIDO DE PROFUNDIDADE
CARACTERÍSTICAS DOS DEFESAS CENTRAIS
- BOA LEITURA DE JOGO
- RÁPIDO
- BOM NAS COMBINAÇÕES DEFENSIVAS
- FORTE NA MARCAÇÃO HXH
- BOM JOGO DE CABEÇA
- BOA ESTATURA
- EQUILIBRADO TÉCNICAMENTE
CARACTERÍSTICAS DOS MÉDIOS DEFENSIVOS/OFENSIVOS
- CAPACIDADE DE ENQUADRAMENTO COM A
SEGUNDA MARCAÇÃO
- DIAGONAIS DEFENSIVAS / COSTAS DOS
LATERAIS
- QUALIDADE DE PASSE (CURTO E LONGO)
- CUIDADOS NA APROXIMAÇÃO (PRESSING)
NA ZONA DE MEIO CAMPO
- COORDENAÇÃO DO JOGO (ORGANIZAR,
PAUTAR, LER)
CARACTERÍSTICAS DOS MÉDIOS ALA
- BOA LEITURA DE JOGO
- FORTES NO 1X1
- EXCELENTE TÉCNICA INDIVIDUAL
- VELOCIDADE DE EXECUÇÃO
- BOM CRUZAMENTO
- BONS FINALIZADORES
CARACTERÍSTICAS DOS PONTAS DE LANÇA
- BOA CULTURA TÁCTICA
- COMPENSAÇÃO DAS LINHAS ATRASADAS
- PREOCUPAÇÕES NAS SUBIDAS DOS LATERAIS
CONTRÁRIOS
- MOBILIDADE A TODA A LARGURA OFENSIVA
- PROFUNDIDADE OFENSIVA, IMPROVISAÇÃO
E CRIATIVIDADE
- RÁPIDO
- EQUILÍBRIO ATACANTE
- EQUILÍBRIO DEFENSIVO
- MOVIMENTOS SEM BOLA
- RECEPÇÃO E SEGURANÇA DA BOLA
CONCLUSÃO FINAL
- INTERCÂMBIO CADA VEZ MAIOR DAS
POSIÇÕES DOS MÉDIOS
- MAIOR PROFUNDIDADE DOS DEFESAS
- EQUILÍBRIO DAS ACÇÕES OFENSIVAS E
DEFENSIVAS
- POLIVALÊNCIA DAS FUNÇÕES DA EQUIPA
( A RECUPERAR, ATACAR E FINALIZAR )
- DOMÍNIO DOS PRINCÍPIOS DO ATAQUE E
DEFESA POR PARTE DE TODOS OS JOGADORES
- BOLA COMO COMPANHEIRO MAIS RÁPIDO
- ARTE DE JOGAR SEM BOLA
CARACTERÍSTICAS DOS GUARDA REDES
- ESTATURA MÉDIA ALTA
- BOAS MÃOS
- AGILIDADE
- BOM POSICIONAMENTO
- BONS TÉCNICA DE PÉS
- COMUNICATIVO
CARACTERÍSTICAS DOS LATERAIS
- FORTES DEFENSIVAMENTE
- BOA ARTICULAÇÃO COM O MÉDIO ALA, MÉDIO INTERIOR E PONTA
DE LANÇA
- EVOLUÍDO TECNICAMENTE
- RÁPIDO
- SENTIDO DE PROFUNDIDADE
CARACTERÍSTICAS DOS DEFESAS CENTRAIS
- BOA LEITURA DE JOGO
- RÁPIDO
- BOM NAS COMBINAÇÕES DEFENSIVAS
- FORTE NA MARCAÇÃO HXH
- BOM JOGO DE CABEÇA
- BOA ESTATURA
- EQUILIBRADO TÉCNICAMENTE
CARACTERÍSTICAS DOS MÉDIOS DEFENSIVOS/OFENSIVOS
- CAPACIDADE DE ENQUADRAMENTO COM A
SEGUNDA MARCAÇÃO
- DIAGONAIS DEFENSIVAS / COSTAS DOS
LATERAIS
- QUALIDADE DE PASSE (CURTO E LONGO)
- CUIDADOS NA APROXIMAÇÃO (PRESSING)
NA ZONA DE MEIO CAMPO
- COORDENAÇÃO DO JOGO (ORGANIZAR,
PAUTAR, LER)
CARACTERÍSTICAS DOS MÉDIOS ALA
- BOA LEITURA DE JOGO
- FORTES NO 1X1
- EXCELENTE TÉCNICA INDIVIDUAL
- VELOCIDADE DE EXECUÇÃO
- BOM CRUZAMENTO
- BONS FINALIZADORES
CARACTERÍSTICAS DOS PONTAS DE LANÇA
- BOA CULTURA TÁCTICA
- COMPENSAÇÃO DAS LINHAS ATRASADAS
- PREOCUPAÇÕES NAS SUBIDAS DOS LATERAIS
CONTRÁRIOS
- MOBILIDADE A TODA A LARGURA OFENSIVA
- PROFUNDIDADE OFENSIVA, IMPROVISAÇÃO
E CRIATIVIDADE
- RÁPIDO
- EQUILÍBRIO ATACANTE
- EQUILÍBRIO DEFENSIVO
- MOVIMENTOS SEM BOLA
- RECEPÇÃO E SEGURANÇA DA BOLA
CONCLUSÃO FINAL
- INTERCÂMBIO CADA VEZ MAIOR DAS
POSIÇÕES DOS MÉDIOS
- MAIOR PROFUNDIDADE DOS DEFESAS
- EQUILÍBRIO DAS ACÇÕES OFENSIVAS E
DEFENSIVAS
- POLIVALÊNCIA DAS FUNÇÕES DA EQUIPA
( A RECUPERAR, ATACAR E FINALIZAR )
- DOMÍNIO DOS PRINCÍPIOS DO ATAQUE E
DEFESA POR PARTE DE TODOS OS JOGADORES
- BOLA COMO COMPANHEIRO MAIS RÁPIDO
- ARTE DE JOGAR SEM BOLA
O Futebolista e as Capacidades Físicas
O futebol é um desporto colectivo de cooperação/oposição, de espaço comum e participação simultânea. É um desporto situacional, que engloba um conjunto diversificado de situações carregadas de grande variabilidade e incerteza. Sendo um desporto de situação, os comportamentos estão sempre condicionados pelo contexto. As habilidades definem-se como abertas, contínuas e acíclicas, nas quais se produz uma interacção activa entre os participantes, favorecendo a aplicação combinada dos
elementos técnicos, coordenativos, tácticos, estratégicos, físicos condicionais e emotivos.
É um jogo disputado por duas equipas, que se envolvem numa luta permanente pela conquista da posse da bola, em completa interacção com os companheiros e condicionada pelas relações antagónicas de ataque/defesa. É uma modalidade de “alta exigência táctico-estratégica e predominantemente perceptivo-decisional. Ou seja, o jogador de futebol, durante o jogo, é confrontado com um número elevado de opções e decisões a tomar. Deve fazê-lo num tempo mínimo e inserido num contexto
caracterizado por uma grande instabilidade e perante estímulos aleatórios e imprevisíveis.
No futebol actual, a qualidade do processo de tomada de decisões define o nível de qualidade de qualquer jogador. Sem uma correcta tomada de decisão do que supostamente deveríamos fazer, de pouco serve a velocidade de execução de qualquer gesto ou comportamento realizado. Seria como que “um chegar mais depressa ao sítio onde não devíamos”...
É por isso, muito importante para o processo de treino, falar de objectivos óptimos e não de objectivos máximos. Terá mais sentido em falar de uma velocidade útil, de uma força útil, do que de velocidade máxima ou força máxima.
EXIGÊNCIAS DO FUTEBOL DE ALTO NÍVEL
Os esforços produzidos têm um carácter descontínuo, de intensidade variável e manifestam-se de forma aleatória.
Verificam-se, igualmente, situações de pausa relativa, com recuperações variáveis. Os movimentos básicos realizados no futebol são fundamentalmente os remates, as corridas, as saídas rápidas ou sprints, os saltos, as mudanças de direcção, as rotações, as fintas e as acelerações e desacelerações, sendo que a maioria das mesmos se realizam em distancias curtas entre os 5 e os 15 metros, nas quais se deve acelerar e desacelerar, com grande intensidade.
Podemos assim, dizer, que numa equipa de futebol existe uma relação directa entre a qualidade do jogo produzido e a quantidade das acções explosivas de alta intensidade, decorridas durante o
mesmo. As acções mais determinantes do jogo realizam-se, efectivamente, a velocidades elevadas.
O factor Velocidade e/ou Comportamento Veloz poderá ser considerado o núcleo central do treino do jogador de alto rendimento, porém, paradoxalmente, chegamos a esse núcleo por outras vias que não correspondem ao treino directo da velocidade. Isto é, melhoramos a velocidade através do trabalho da
Força, da Flexibilidade, da Propriocepção e da Coordenação. Apenas um número mínimo de trabalho será realizado com métodos genéricos ou próprios desta qualidade.
Ou seja, as acções realizadas à máxima velocidade, duram muito pouco tempo, mas são decisivas no jogo. Esta capacidade que permite realizar acções de grande velocidade é que distingue os jogadores de alto nível para os de menor nível. Para aumentar a velocidade de execução destas acções e, especialmente para evitar que a referida velocidade ou comportamento veloz diminua com a idade, é muito importante treinar a Força do futebolista ( força explosiva, para remates e sprints; força isométrica máxima , para “tacles”; força excêntrica, para desacelerações, para saltos, etc…
A Força é a capacidade funcional base de todas as demais, sendo
que o sistema muscular é capaz de produzir força que se manifesta em circunstâncias, às vezes definida como Velocidade e noutras ocasiões manifestando-se como Resistência, mas que em ambos os casos não são mais que manifestações da capacidade de gerar Força. Podemos dizer, então, que a Força é o suporte condicional do futebolista.
Por outro lado, não devemos cair no erro associado à ideia redutora que faz da velocidade apenas “ o chegar antes de...”, já que no decorrer de um jogo verifica-se, efectivamente, que existem muitas
situações relevantes que exigem um determinado comportamento veloz, mas que o mesmo não passa, obrigatoriamente, por chegar antes do adversário. E assim se explica que nem todos os grandesjogadores tiveram necessidade de serem os mais rápidos ou velozes.
Não interessa tanto que determinado comportamento seja o mais rápido possível. O que é realmente importante é que esse mesmo comportamento seja o mais rápido possível mas enquanto for eficaz. Isto é , que seja eficaz à maior velocidade possível.
TENDÊNCIAS EVOLUTIVAS DO JOGO
O modelo actual da competição no futebol sofreu uma clara evolução no sentido de uma maior preponderância e exigência das acções e dos comportamentos velozes.
Contudo, no futebol não se compete para superar uma distância, ou um tempo, ou um adversário.
Compete-se para dar solução aos problemas criados pelo adversário e pela imprevisibilidade que a própria natureza do jogo vai criando.
A essência de uma tarefa de treino é ser um problema e por isso ela deve recriar uma situação semelhante à da competição. Estas “Tarefas Situacionais”, com grande semelhança com a realidade
competitiva, devem ser reconhecidas, antecipadas e superadas por meio de comportamentos e condutas que permitam aos jogadores/equipa, responderem de forma adaptada às situações/problema concretas do jogo.
A análise das Tendências Evolutivas do Jogo coloca-nos várias questões que deveremos analisar, aprofundar e delas retirar os ensinamentos, que a realidade concreta de cada contexto profissional, vai reclamando:
- O espaço de jogo real é cada vez mais reduzido, particularmente nas zonas de construção e finalização;
- A alternância de períodos de corrida lenta e média e mesmo de paragem, com esforços curtos, de grande intensidade e realizados à máxima velocidade, é cada vez mais frequente. Ou seja, o ritmo de jogo é cada vez mais elevado e alternado. Esta clara tendência que aponta para este aumento do ritmo de jogo, manifesta-se, não tanto para aumentos na distância total percorrida, mas sim no sentido de incrementar o número de situações próximas da intensidade máxima, as quais são, como já referimos, as mais determinantes e decisivas do jogo;
- A realidade referida nos pontos anteriores faz com que os mecanismos de percepção e decisão assumam uma importância determinante na expressão do jogo de alto nível.
É preciso captar e seleccionar a informação relevante de forma rápida; é preciso processar rápido, para que os mecanismos de tomada de decisão e posterior execução sejam também rápidos, eficazes e eficientes;
- No Futebol o desenvolvimento da estrutura condicional, será potenciada, pela sua exercitação em contextos táctico-estratégicos e técnico-coordenativos, nos quais os aspectos como a atenção, a
capacidade de discriminação da informação relevante e a qualidade decisional se constituem como factores que fazem toda a diferença na expressão do jogo de alto nível;
- Maior pressão temporal, decorrente de uma melhor e maior organização defensiva;
- A duração da fase ofensiva é cada vez mais breve (a maioria dos golos conseguem-se em acções cuja duração não ultrapassa 15 s;
- A importância das bolas paradas, com o consequente aumento da importância do jogo aéreo é cada vez mais evidente;
- A polivalência e o desaparecimento do jogador especialista é também uma tendência do futebol actual;
- A importância de um jogador universal, que domine as facetas ofensivas e defensivas nos diferentes sectores do campo, é uma mais valia evidente para as equipas de elite.
Ante o exposto deveremos analisar que tipo de consequências metodológicas devem ser consideradas, no sentido de dar sentido e coerência à construção das tarefas de treino:
- Capacidades Condicionais a privilegiar:
- Resistência à capacidade de aceleração e sprint
- Força-Velocidade
- Resistência à Força-Velocidade (Incremento de situações de 1x1)
- Capacidade de recuperação entre esforços de máxima intensidade
- Força Explosiva (Intervir de forma explosiva)
- Força de Contacto e Força de Salto
- Força como suporte condicional do futebolista
elementos técnicos, coordenativos, tácticos, estratégicos, físicos condicionais e emotivos.
É um jogo disputado por duas equipas, que se envolvem numa luta permanente pela conquista da posse da bola, em completa interacção com os companheiros e condicionada pelas relações antagónicas de ataque/defesa. É uma modalidade de “alta exigência táctico-estratégica e predominantemente perceptivo-decisional. Ou seja, o jogador de futebol, durante o jogo, é confrontado com um número elevado de opções e decisões a tomar. Deve fazê-lo num tempo mínimo e inserido num contexto
caracterizado por uma grande instabilidade e perante estímulos aleatórios e imprevisíveis.
No futebol actual, a qualidade do processo de tomada de decisões define o nível de qualidade de qualquer jogador. Sem uma correcta tomada de decisão do que supostamente deveríamos fazer, de pouco serve a velocidade de execução de qualquer gesto ou comportamento realizado. Seria como que “um chegar mais depressa ao sítio onde não devíamos”...
É por isso, muito importante para o processo de treino, falar de objectivos óptimos e não de objectivos máximos. Terá mais sentido em falar de uma velocidade útil, de uma força útil, do que de velocidade máxima ou força máxima.
EXIGÊNCIAS DO FUTEBOL DE ALTO NÍVEL
Os esforços produzidos têm um carácter descontínuo, de intensidade variável e manifestam-se de forma aleatória.
Verificam-se, igualmente, situações de pausa relativa, com recuperações variáveis. Os movimentos básicos realizados no futebol são fundamentalmente os remates, as corridas, as saídas rápidas ou sprints, os saltos, as mudanças de direcção, as rotações, as fintas e as acelerações e desacelerações, sendo que a maioria das mesmos se realizam em distancias curtas entre os 5 e os 15 metros, nas quais se deve acelerar e desacelerar, com grande intensidade.
Podemos assim, dizer, que numa equipa de futebol existe uma relação directa entre a qualidade do jogo produzido e a quantidade das acções explosivas de alta intensidade, decorridas durante o
mesmo. As acções mais determinantes do jogo realizam-se, efectivamente, a velocidades elevadas.
O factor Velocidade e/ou Comportamento Veloz poderá ser considerado o núcleo central do treino do jogador de alto rendimento, porém, paradoxalmente, chegamos a esse núcleo por outras vias que não correspondem ao treino directo da velocidade. Isto é, melhoramos a velocidade através do trabalho da
Força, da Flexibilidade, da Propriocepção e da Coordenação. Apenas um número mínimo de trabalho será realizado com métodos genéricos ou próprios desta qualidade.
Ou seja, as acções realizadas à máxima velocidade, duram muito pouco tempo, mas são decisivas no jogo. Esta capacidade que permite realizar acções de grande velocidade é que distingue os jogadores de alto nível para os de menor nível. Para aumentar a velocidade de execução destas acções e, especialmente para evitar que a referida velocidade ou comportamento veloz diminua com a idade, é muito importante treinar a Força do futebolista ( força explosiva, para remates e sprints; força isométrica máxima , para “tacles”; força excêntrica, para desacelerações, para saltos, etc…
A Força é a capacidade funcional base de todas as demais, sendo
que o sistema muscular é capaz de produzir força que se manifesta em circunstâncias, às vezes definida como Velocidade e noutras ocasiões manifestando-se como Resistência, mas que em ambos os casos não são mais que manifestações da capacidade de gerar Força. Podemos dizer, então, que a Força é o suporte condicional do futebolista.
Por outro lado, não devemos cair no erro associado à ideia redutora que faz da velocidade apenas “ o chegar antes de...”, já que no decorrer de um jogo verifica-se, efectivamente, que existem muitas
situações relevantes que exigem um determinado comportamento veloz, mas que o mesmo não passa, obrigatoriamente, por chegar antes do adversário. E assim se explica que nem todos os grandesjogadores tiveram necessidade de serem os mais rápidos ou velozes.
Não interessa tanto que determinado comportamento seja o mais rápido possível. O que é realmente importante é que esse mesmo comportamento seja o mais rápido possível mas enquanto for eficaz. Isto é , que seja eficaz à maior velocidade possível.
TENDÊNCIAS EVOLUTIVAS DO JOGO
O modelo actual da competição no futebol sofreu uma clara evolução no sentido de uma maior preponderância e exigência das acções e dos comportamentos velozes.
Contudo, no futebol não se compete para superar uma distância, ou um tempo, ou um adversário.
Compete-se para dar solução aos problemas criados pelo adversário e pela imprevisibilidade que a própria natureza do jogo vai criando.
A essência de uma tarefa de treino é ser um problema e por isso ela deve recriar uma situação semelhante à da competição. Estas “Tarefas Situacionais”, com grande semelhança com a realidade
competitiva, devem ser reconhecidas, antecipadas e superadas por meio de comportamentos e condutas que permitam aos jogadores/equipa, responderem de forma adaptada às situações/problema concretas do jogo.
A análise das Tendências Evolutivas do Jogo coloca-nos várias questões que deveremos analisar, aprofundar e delas retirar os ensinamentos, que a realidade concreta de cada contexto profissional, vai reclamando:
- O espaço de jogo real é cada vez mais reduzido, particularmente nas zonas de construção e finalização;
- A alternância de períodos de corrida lenta e média e mesmo de paragem, com esforços curtos, de grande intensidade e realizados à máxima velocidade, é cada vez mais frequente. Ou seja, o ritmo de jogo é cada vez mais elevado e alternado. Esta clara tendência que aponta para este aumento do ritmo de jogo, manifesta-se, não tanto para aumentos na distância total percorrida, mas sim no sentido de incrementar o número de situações próximas da intensidade máxima, as quais são, como já referimos, as mais determinantes e decisivas do jogo;
- A realidade referida nos pontos anteriores faz com que os mecanismos de percepção e decisão assumam uma importância determinante na expressão do jogo de alto nível.
É preciso captar e seleccionar a informação relevante de forma rápida; é preciso processar rápido, para que os mecanismos de tomada de decisão e posterior execução sejam também rápidos, eficazes e eficientes;
- No Futebol o desenvolvimento da estrutura condicional, será potenciada, pela sua exercitação em contextos táctico-estratégicos e técnico-coordenativos, nos quais os aspectos como a atenção, a
capacidade de discriminação da informação relevante e a qualidade decisional se constituem como factores que fazem toda a diferença na expressão do jogo de alto nível;
- Maior pressão temporal, decorrente de uma melhor e maior organização defensiva;
- A duração da fase ofensiva é cada vez mais breve (a maioria dos golos conseguem-se em acções cuja duração não ultrapassa 15 s;
- A importância das bolas paradas, com o consequente aumento da importância do jogo aéreo é cada vez mais evidente;
- A polivalência e o desaparecimento do jogador especialista é também uma tendência do futebol actual;
- A importância de um jogador universal, que domine as facetas ofensivas e defensivas nos diferentes sectores do campo, é uma mais valia evidente para as equipas de elite.
Ante o exposto deveremos analisar que tipo de consequências metodológicas devem ser consideradas, no sentido de dar sentido e coerência à construção das tarefas de treino:
- Capacidades Condicionais a privilegiar:
- Resistência à capacidade de aceleração e sprint
- Força-Velocidade
- Resistência à Força-Velocidade (Incremento de situações de 1x1)
- Capacidade de recuperação entre esforços de máxima intensidade
- Força Explosiva (Intervir de forma explosiva)
- Força de Contacto e Força de Salto
- Força como suporte condicional do futebolista
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