sábado, 30 de abril de 2016

Fases Sensíveis de Desenvolvimento das Capacidades Motoras do Jovem Futebolista - Potencializar o talento

Se os pais devem conhecer os estádios de desenvolvimento físico e intelectual dos seus filhos quando estes são crianças e adolescentes para desta forma potenciar o seu desenvolvimento, treinadores de desporto, neste caso particular treinadores de futebol, devem conhecer em que períodos o desenvolvimento de determinadas capacidades motoras e coordenativas são potencializadas pelo treino.


Será objetivo deste texto falar um pouco sobre fases sensíveis de desenvolvimento das capacidades motoras e a sua importância no planeamento do processo de treino.


Em primeiro lugar é importante definir o que são fases sensíveis e capacidades motoras.




Fases sensíveis ou períodos críticos são períodos limitados de tempo na vida dos indivíduos, em que eles respondem de forma mais intensa do que noutros períodos, a determinados estímulos do ambiente exterior. No caso do desportista, existem períodos em que estimulando uma determinada capacidade motora através do treino, o efeito deste sobre essa capacidade no desportista é potencializado. Após o término desses períodos o efeito do treino sobre determinada capacidade é reduzido de forma significativa. 


Capacidades motoras baseiam-se em predisposições genéticas e desenvolvem-se através dos estímulos de treino. Dividem-se em capacidades motoras condicionais (força, velocidade, resistência e flexibilidade) e capacidades motoras coordenativas (Ritmo, Orientação espacial, Reação, Coordenação Motora e Diferenciação Cinestésica).


O mais importante não é saber conceitos, é saber o que as ciências do desporto nos dizem sobre este tema, quais os períodos (fases sensíveis) em que o treino da velocidade, da força, da resistência, da flexibilidade e das capacidades coordenativas leva a ganhos mais significativos dessas mesmas capacidades.
 
O gráfico em baixo representa a curva de velocidade de crescimento (centímetro/ano) para rapazes e raparigas ao longo da infância e da adolescência até à idade adulta e indica-nos os períodos sensíveis para o desenvolvimento das capacidades motoras. 
 




De uma forma simplista, segundo o gráfico podemos afirmar que os períodos sensíveis para o desenvolvimento da flexibilidade, da velocidade e das capacidades coordenativas acontece preferencialmente na infância (5-11,12 anos), enquanto a resistência e a força têm os seus períodos críticos durante a adolescência até ao início da idade adulta, embora a velocidade tenha um segundo momento sensível ao seu desenvolvimento nesta fase. No entanto, fundamental referir o seguinte: 


Existe um momento da adolescência em que a velocidade de crescimento aumenta de forma abrupta, denominando-se este momento de pico de velocidade de crescimento, sendo este pico variável entre indivíduos do mesmo sexo e também entre sexos [sexo feminino (12-13 anos) normalmente tem um pico de velocidade de crescimento antes do sexo masculino (14-15 anos)]. 




Identificar quando irá acontecer este pico de velocidade de crescimento é fundamental, muito mais que as idades. E o que sabemos do desenvolvimento das capacidades motoras e coordenativas em associação com o pico de velocidade de crescimento? Capacidades coordenativas, 1º momento de desenvolvimento da velocidade e flexibilidade têm um maior desenvolvimento antes do pico de crescimento, durante o pico, o desenvolvimento da resistência e o 2º momento da velocidade é mais potencializado, enquanto após o pico de velocidade de crescimento, a força e a resistência anaeróbia têm a sua fase sensível.
Fundamental aqui será: 


- Conhecer as fases sensíveis de forma a desenvolver no momento exato as capacidades motoras e coordenativas dos atletas, não ficando comprometido o seu desenvolvimento máximo;


- Perceber que independentemente da metodologia de treino que consideram mais vantajosa para a aprendizagem do jogo de futebol, os treinadores de formação devem perceber que a sua operacionalização deve dar maior ênfase à capacidade motora e coordenativa que é mais potencializada no momento.


 

- Identificar precocemente o pico de velocidade de crescimento dos seus atletas (existem metodologias de avaliação), sabendo no entanto que os escalões de iniciados e juvenis são normalmente onde acontece o pico, de forma a ter em conta o princípio da individualidade, já que são idades em que podemos ter um atleta que já ultrapassou o pico e já poderemos desenvolver a força por exemplo, e termos outro atleta que ainda falta um ou dois anos para chegar ao pico e aí o foco será ainda sobre o desenvolvimento da velocidade por exemplo.


- Embora existam períodos sensíveis de desenvolvimento, qualquer capacidade motora ou coordenativa poderá ser sempre melhorada. O que queremos dar ênfase é que estes momentos críticos são fundamentais para o desenvolvimento máximo do talento. 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Velocidade de Pensamento e Execução – A perceção do momento do jogo


Segundo, (Queiroz, 1983), a equipa deve “recusar a inferioridade numérica, evitar a igualdade numérica, procurar criar superioridade numérica”. 

Esta afirmação acima descrita apresenta-se como algo a que as equipas se propõem em todos os jogos, mais propriamente em todos os momentos do jogo. 

 


É lógico que o tentem fazer, alcançar é que nem sempre se verifica. Porquê? Porque exige uma tomada de decisão coletiva/individual que tem em conta um conjunto de fatores (Princípios, Subprincípios e Subsubprincípios) tais como: 

A observação do posicionamento do adversário e da própria equipa, primeiro passe, progressão, a procura pelo espaço, mobilidade, envolvência, superioridade vinda de trás, ocupação racional do espaço, entre outros. A todo isto acrescentar, inevitavelmente, muita qualidade técnica o que só assim permite que estes princípios e subprincípios sejam percecionados e executados a uma velocidade estonteante. 
O golo do Chelsea frente ao City, tem tudo isto e demora cerca de 19 segundos a ser concretizado. O mesmo surge de um canto contra, começa no setor defensivo, através de um primeiro passe executado pelo jogador que vai finalizar a jogada, passa por todos os setores e corredores, variação do centro de jogo, participaram 6 jogadores e foram executados 7 passes e um remate. Isto é o futebol! Velocidade de pensamento e de execução! 


Todas as intervenções foram decisivas para o sucesso coletivo, podíamos destacar o primeiro passe do Schurrle ou a variação do centro de jogo do Hazard, o movimento do Schurrle sem bola – observação – perceção do momento – desmarcação, a temporização do Diego Costa, a fixação do defesa do Ivanovic, mas parece-me demasiado redutor destacar apenas um movimento ou um passe, a jogada é claramente coletiva e evidência o cumprimento dos princípios fundamentais ofensivos do jogo.


Isto só se alcança com um processo de treino planeado e orientado para os princípios de jogo. O estímulo de treino é que permite este tipo de comportamentos coletivos a esta velocidade. Não é o primeiro, nem será o último golo em ataque rápido/contra-ataque, a verdade é que é frequente nas equipas orientadas pelo treinador José Mourinho. 


Podemos analisar o golo do ponto de vista defensivo, contudo, parece me muito mais mérito ofensivo do que demérito defensivo. 

Um golo que evidencia uma identidade de jogo, contudo, nenhuma equipa vive de um só momento, pode e deve direcionar/focalizar o processo no momento com que mais se identifica, mas o jogo exige a perceção e comportamento em função dos momentos. Quanto mais “culta” for a equipa mais perto fica o sucesso coletivo. A biblioteca, perceba-se processo de treino, assume uma relação direta com a cultura da equipa e aqui entrará sempre os livros que o bibliotecário propõe à equipa.

O Treinador de Formação não é SÓ um Treinador

Um treinador de jovens tem de ser completamente diferente daqueles que aparecem na televisão. Se os educadores de infância não podem ser professores do 1º ciclo, professores do 1º ciclo que não podem ser educadores de infância nem do 2º ciclo e por aí em diante, porque é que os treinadores sub-7 e sub-8 podem ser treinadores dos sub-19? E pior… Porque é que os treinadores dos sub-11 que querem ser treinadores dos Seniores vão para treinadores de sub-11?


O treinador de crianças deve especializar-se naquilo que faz, ser recompensado por isso e fazê-lo da melhor forma possível.

O problema é que o desporto e a formação das nossas crianças através dele é completamente descorada. Apesar do desporto estar na moda, o papel dele na formação das pessoas está completamente posto de parte. No entanto, isso não deve ser desculpa para nós, treinadores, deixarmos de ser bons. Bons treinadores e bons FORMADORES.
Um treinador de formação tem de transmitir bons valores e boas crenças. O querer ganhar a todo o custo e transmitir isso para os atletas parece, aparentemente, inofensivo. É só um desporto, num clube com poucas ambições, ninguém vai reparar. O grande problema é que estes jovens estão numa idade bastante sensível, estão a formar o seu caráter e a sua hierarquia de valores. No imediato, estas ações dos treinadores não parecem mudar nada mas quem serão esses meninos no futuro? Será que vão ser jogadores de futebol? Será que vão ser políticos? Será que vão ser donos de uma grande empresa? Será que se se tornarem pessoas demasiado competitivas, que querem ganhar a qualquer custo e que não se importam com o que levam à frente, não serão maus profissionais? Não serão más pessoas? E o Treinador/Formador não tem cota parte nisso?


O treinador de formação tem um papel de grande influência no molde da personalidade destes pequenos. Se é certo que grande parte da personalidade é explicada pela genética, também se sabe que uma boa parte se deve ao ambiente em que as crianças estão inseridas e aos adultos-modelo. E o treinador é um dos adultos-modelo com mais peso. É o que possibilita uma das atividades que a criança mais gosta e que o faz/ou devia fazer evoluir e crescer nessa atividade.

O treinador de formação, ao contrário do treinador de equipas de competição, deve pôr a evolução individual do atleta à frente dos resultados competitivos do clube. Ou seja, dar hipóteses para os que estão menos aptos poderem evoluir e promover os mais aptos a escalões superiores onde possam ter mais competitividade e consequentemente evoluir também; mesmo que isso prejudique os resultados da equipa.





O treinador de formação deve promover a integração. Numa altura em que se fala muito de “bulling”, fenómeno que na minha opinião sempre existiu, é ainda mais necessário que os treinadores promovam uma boa ligação entre todos os seus jogadores. Fazer entender que numa equipa todos temos o mesmo objetivo e que isso nos une, independentemente das nossas diferenças individuais.

Durante o crescimento, especialmente nos escalões onde se costuma dar o salto de crescimento pubertário, existem muitas diferenças maturacionais, jovens muito avançados e outros muito atrasados. O treinador de formação tem que conseguir ver para além dessas diferenças, dar tempo a quem precisa de tempo. Perceber que as limitações que alguns jogadores têm não se devem a falta de qualidade mas sim ao timing de crescimento. E dar estratégias e qualidades a esses meninos para contornar as diferenças físicas.





O treinador tem que ensinar o jogo. Existem princípios e comportamentos que o treinador deve ensinar aos seus jogadores. Eles devem saber jogar e devem entender, interpretar cada momento e reagir em consonância. Para isso o treinador de formação tem de conhecer muito bem o jogo. Como pode um professor de inglês ensinar a língua se não sabe falar corretamente? O treinador deve conhecer o jogo, pensar o jogo, estudar o jogo e tentar estar o mais informado possível para poder ensinar o melhor possível.

(tem de divertir os seus atletas e fazê-los adorar o jogo e adorar desporto)

O treinador de formação deve ter a noção que o futebol é um jogo. Que os atletas são crianças, que jogam para se divertir. O treinador tem obrigação de não tirar a diversão aos seus jogadores, os jogadores devem adorar o futebol e acima de tudo devem adorar fazer desporto.





O treinador de formação deve preocupar-se com o que os seus jogadores fazem fora do campo, é uma grande referência como já foi dito e pode intervir favoravelmente na consciencialização dos seus atletas. Tanto a nível pessoal como académico, nunca se esquecendo que essas crianças poderão não vir a ser jogadores de futebol profissional e que têm, obrigatoriamente, de ter outra alternativa.

O treinador de formação deve ensinar aos seus atletas bons hábitos alimentares; o que devem comer mais e o que devem evitar; que alimentação devem ter antes e depois do exercício, sublinhar a importância da hidratação. Bem como, alertar para comportamentos menos próprios de atletas, que os podem prejudicar no imediato e no futuro, como hábitos alcoólicos, tabágicos e drogas.

Acima de tudo um treinador de formação tem de ter a consciência que tem o poder de mudar o mundo, pois está a lidar com os homens do futuro. Possíveis políticos, líderes de grandes empresas, pessoas com poder para fazer a diferença. Quando bem ensinados poderão fazer a diferença para o bem, quando mal ensinados…


terça-feira, 21 de abril de 2015

Preparação Técnico-tática nas Camadas Jovens


Toda a programação terá como objetivo a evolução dos jovens em várias vertentes, começando na sua formação pessoal, terminando na formação técnico-tática. Os métodos de treino beneficiarão a compreensão do jogo de Futebol, e daí a necessidade da aquisição de destrezas motoras num sentido bilateral, evitando a habitual unilateralidade dos jogadores (isto é, aprendendo a executar as ações técnicas com ambos os pés).
Dever-se-á também evitar favorecer uma especialização precoce dos jovens, dando-lhes oportunidades de experimentarem várias posições em campo, à exceção dos guarda-redes, cuja posição tem de ser obrigatoriamente especializada desde o início.


Delimitação dos conteúdos a abordar:

Tal como em qualquer Acão pedagógica, devem-se estipular os conteúdos a abordar de forma programada e sequenciada. Assim, seguem-se alguns elementos que são essenciais para a formação dos jovens. Não se trata de uma planificação de treino, mas sim de conteúdos que não devem ser esquecidos aquando de uma planificação.
 


Ações Individuais:

- Passe / Receção;
- Condução;
- Drible / Marcação / Desarme;
- Condução para Remate / Remate.

Ações Coletivas:

- Desmarcações;
- Combinações;
- Dobra / Compensações.


Sequencia dos Conteúdos a abordar:

Nesta fase, deverão ser abordadas em primeiro lugar as ações técnico-táticas individuais, passando posteriormente para as coletivas. A ordem adotada para a transmissão das mesmas, passará pela mesma ordem sequencial estipulada nos conteúdos a abordar, que poderá ser ajustada, caso se justifique, em benefício dos jovens. Não obstante, tanto os conteúdos como a sequencialização destes deverá sempre seguir as seguintes normativas:

- Dos exercícios simples para os exercícios complexos;
- Das execuções lentas para as execuções rápidas;
- Dos jogos reduzidos para o jogo formal.

 
 
 

domingo, 30 de novembro de 2014

Como o treino técnico pode ajudar na preparação física


A Preparação dos atletas caminha cada vez mais para as atividades integradas


O bom desenvolvimento de uma equipa de futebol e dos seus atletas dentro de uma competição está diretamente relacionado com a condição técnica e física em que ela se encontra. É imprescindível que um atleta esteja bem condicionado fisicamente para poder realizar as suas funções técnicas e táticas dentro de uma partida com um grau de excelência necessário e para conseguir manter a regularidade durante a competição.

Isso não significa que se deve dar somente atenção ao treino físico puro. O treino técnico pode auxiliar e muito no desenvolvimento das valências físicas de um atleta de futebol. Preparadores técnicos e físicos devem sempre atuar em sintonia, planeando treinos que visem buscar alternativas que permitam aliar com o máximo de excelência as duas situações, pois sendo o futebol um desporto intermitente é claramente possível desenvolver este tipo de situação.


Com a evolução dos métodos de treino, tanto físicos como técnicos, tem-se uma oportunidade muito grande de criar alternativas que estimulem todas as valências físicas necessárias a um atleta de futebol. Pode-se trabalhar, por exemplo, os tipos de resistência quanto ao especto do metabolismo muscular, ou seja, a resistência aeróbia e anaeróbia através de jogos em campo reduzido. Para isso, basta criar regras que deixem o jogo mais dinâmico, trabalhar em dois ou a um toque, dividir as equipas em números de atletas diferentes, num cenário em que uma tem função específica de marcação e outra posse de bola, e assim por diante.

Consegue-se trabalhar a velocidade, uma das valências mais importante para um atleta de futebol. Um exemplo bastante comum é o seguinte: após realizar um passe no treino técnico, o jogador deverá realizar um sprint de 5 metros em direção à bola. A lateralidade e a agilidade podem ser desenvolvidas também. Basta criar situações específicas.


 É comum no futebol utilizar-se o treino físico-técnico, no qual os fundamentos técnicos são desenvolvidos juntamente com elementos físicos dos atletas - ou pelo menos esse seria o objetivo inicial, mas alguns erros são comumente cometidos nesses tipos de treinos, como ênfase exagerada às valências físicas em detrimento da parte técnica propriamente dita.

Quando isso acontece, a bola acaba entrando mais como um elemento motivacional do que como uma situação técnica a ser desenvolvida. Na maioria das vezes, a culpa cai sobre os tipos de exercícios escolhidos. Por isso deve-se ter um cuidado muito grande na hora de planificar e escolher as atividades a serem utilizadas e os objetivos que se quer atingir.

Exercícios em duplas são os mais utilizados pelos profissionais do futebol, nos quais um atleta realiza os movimentos pré-determinados por um tempo estipulado e o outro apenas joga a bola ou os dois ficam trocando passes ou outro fundamento qualquer até receberem um comando para parar ou trocar de movimento.

Esses tipos de exercícios são os mais encontrados na literatura. A eficácia maior de atividades desse gênero se dá na formação, nas quais existe uma necessidade maior de desenvolvimento das valências físicas como coordenação, força e velocidade do atleta, pois o padrão psicomotor ainda está em fase de desenvolvimento.



Já nas categorias maiores, como júnior ou sénior, deve-se buscar alternativas mais complexas, que se aproximem mais da realidade de jogo, criando situações em que os atletas tenham uma dinâmica de jogo maior. É claro que com atletas profissionais parte-se do pressuposto que eles já tenham um padrão psicomotor altamente desenvolvido e especializado, por mais que muitas vezes não seja isso que acontece.

Não é raro encontrarmos situações em que atletas profissionais tenham grandes dificuldades motoras para realizar exercícios e fundamentos. Nesses casos, os treinadores devem buscar alternativas para tentar obter uma melhoria nos padrões desses atletas, treinando-os em separado.

O planeamento ainda é a melhor maneira de se obter os resultados desejados na preparação de equipas de futebol, independentemente da categoria em que se esteja trabalhando. É muito importante que os profissionais envolvidos na preparação física e técnica tenham uma dose de criatividade para implementar e melhorar os seus treinos. A variação de metodologias de exercício é de suma importância para um melhor rendimento do atleta, pois o psicológico influencia diretamente no rendimento.





Não é uma situação muito agradável para o atleta ficar sempre repetindo os mesmos exercícios - o ser humano precisa sempre de novos desafios, situações diferenciadas e se possível que se aproximem ao máximo da realidade que ele irá encontrar no jogo.

A grande maioria dos atletas sabe o quanto é importante para o seu desenvolvimento e sucesso profissional estar bem condicionado fisicamente, mas encontra uma barreira muito grande na realização de treinos físicos. Muitos já iniciam sua sessão de treino psicologicamente abalados, e isso pode fazer com que seu rendimento caia consideravelmente.

A busca por alternativas que estimulem mais o rendimento do atleta é imprescindível na sua preparação e não só o rendimento físico, mas também o seu lado psicológico.

Uma grande arma que os profissionais envolvidos com a preparação de equipas de futebol têm é tentar mesclar o treino técnico, no qual a “bola” está presente, com os treinos físicos. Fazendo essa aliança, pode-se até conseguir atingir índices de performance muito melhores, não esquecendo é claro que os treinos físicos específicos também são imprescindíveis ao rendimento dos atletas, principalmente no período de preparação ou pré-temporada.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O QUE É PRESSING ?


O “futebol de pressing”, assim chamado pelo seu criador, Rinus Michels, consistia de um dispositivo tático cujo objetivo era acuar intensamente o adversário para recuperar a posse de bola e não ceder em nenhum momento a iniciativa de jogo ao mesmo, contando com dois requisitos básico: espírito de luta inquebrantável e excelentes níveis de preparação física. Segundo a definição do próprio Michels, o futebol de pressing era “um sistema de jogo em que todos os jogadores no campo atacam todo o tempo… ainda que não tenham a posse de bola!”



Ao utilizar-se do pressing busca-se tornar o campo pequeno para o adversário, pressionando-o tanto em espaço como em tempo. Prioritariamente, todos os espaços próximos à bola devem ser racionalmente ocupados e as linhas de passe do adversário são suprimidas e este se vê com um reduzido número de possibilidades, tudo isso é claro se o “pressing” for bem realizado e muito bem sistematizado durante o processo de treino.

O “pressing” segundo Amieiro (2005) é uma ação coletiva defensiva de opressão sobre o portador da bola, sendo que esta ação busca diminuir o tempo e espaço de ação do mesmo.

A questão coletiva passa a ser primordial nessa ação, pois o estado de pressão imposto ao adversário depende de uma ocupação inteligente e direcionada de todos os espaços necessários para que isso ocorra.


Outro ponto importante citado pelo autor é de que o “pressing” não deve ser feito apenas para impedir que o adversário jogue, mas para que sua equipe jogue, por isso esta dever ter estratégias para pressionar e dar sequência na jogada e não apenas pressionar, roubar a bola e logo em seguida perdê-la, e isso obviamente também deve ser definido durante o processo de treino.

A transição ofensiva e defensiva tem plena relação com essa forma do time atuar.

Em se tratando de futebol de alto nível, tem-se recriminado toda forma passiva de jogar e o “pressing” tornou o ato de defender passivamente em um ato agressivo de jogar defensivamente, os espaços então tornaram-se ainda mais escassos.

Essas formas de “pressing” têm aspetos físicos específicos e são determinantes nos jogos, pois os jogadores devem resistir durante os noventa minutos aos estímulos da partida e reagir da melhor maneira possível conforme o modelo de jogo proposto pelo treinador.
Consideremos as seguintes variáveis:
- Espaço: refere-se à região ou setor do campo em que a pressão deve iniciar ou ser realizada;

- Tempo: relaciona-se ao momento em que deve-se iniciar a pressão, se na transição defensiva, nos passes para trás do adversário, etc e;

- Referência: diz respeito ao elemento do jogo que orientará a pressão, se a bola, o adversário ou um setor do campo, por exemplo.


As três variáveis acima citadas são essenciais para se compreender o ato de pressionar e o que o norteia. E, independentemente da opção por este ou aquele referencial, a capacidade de exercer pressing, ou seja, de gerar uma situação para o adversário que o obrigue a decidir sob condições com maior dificuldade que o habitual, dependerá do nível de compreensão que o grupo de jogadores que o aplica têm sobre o jogo.

Esses conhecimentos sobre a lógica do jogo serão construídos dentro de um processo pedagógico de treino, com complexidade crescente e sempre atuando dentro da zona proximal de conhecimento do grupo de atletas.


Esse conceito foi criado e popularizado pelo treinador holandês e ficou em evidência principalmente após a Copa do Mundo de 1974 devido à excelente campanha que a seleção da Holanda realizou durante aquele mundial.

Apresentando um futebol fantástico, inclusive com a denominação de “Carrossel Holandês” pela alta rotatividade de movimentações que a equipe demonstrava em campo, o “pressing” se tornou desde então uma característica de equipas de alto nível, que vêem nessa forma de jogar um meio para controlar e / ou dominar as partidas.

 

PRINCÍPIOS GERAIS E ESPECÍFICOS NO JOGO




No futebol, a relação de cooperação/oposição manifesta-se na realização de ações individuais, de grupo e coletivas, específicas e congruentes com os objetivos e com as finalidades em cada momento do jogo, segundo regras de ação e princípios de gestão bem definidos. Estas regras de ação e princípios de gestão de jogo, são denominados no seu conjunto, e segundo Teodorescu (1984), componentes fundamentais da tática. De acordo com este autor romeno, as componentes fundamentais da tática são:


As Fases: etapas percorridas no desenvolvimento quer do ataque quer da defesa desde o seu início até à sua conclusão.
Os Princípios (gerais e específicos): normas de base segundo as quais os jogadores, individual, em grupo ou coletivamente, devem coordenar a sua atividade durante os desenvolvimentos das fases (defesa e ataque).
Os Fatores: meios que os jogadores utilizam, qualquer que seja a fase de jogo, tendo em conta a aplicação dos respetivos princípios.
As Formas: estruturas organizadoras da atividade durante o jogo e nas diversas fases.
 

Os princípios específicos representam, conforme foi já referido, um conjunto de regras que devem coordenar as ações dos jogadores. A cada um dos 4 princípios específicos do ataque (penetração, cobertura ofensiva, mobilidade e espaço) correspondem outros tantos da defesa (contenção, cobertura defensiva, equilíbrio e concentração) e vice-versa.


Os princípios de jogo são então um conjunto de normas que orientam o jogador na procura das soluções mais eficazes, nas diferentes situações de jogo.


Quando um jogador se encontra na posse da bola, este deverá ter como primeira preocupação ver se existe possibilidade de finalizar (marcar golo) ou espaço livre de progressão para a baliza contrária, respeitando o primeiro princípio de ataque, isto é, a PENETRAÇÃO.


Em resposta à penetração, a equipa que defende deve fechar de imediato a linha de remate ou de progressão para a baliza, colocando um jogador entre o portador da bola e a baliza, criando uma situação de 1x1, cumprindo assim o primeiro princípio da defesa, ou seja, a CONTENÇÃO.


Esta situação de igualdade numérica agora criada, não deixa de envolver um maior risco para a equipa que defende. Assim, esta deve procurar criar superioridade numérica, através da inclusão de um segundo defensor, cumprindo assim o segundo princípio da defesa: a COBERTURA DEFENSIVA.


A equipa que ataca, dado que fica em inferioridade numérica, deve restabelecer o equilíbrio fazendo apelo a um segundo atacante e, respeitando o segundo princípio do ataque, COBERTURA OFENSIVA, tenta criar uma relação de igualdade numérica (2x2).


Esta situação de 2x2 é teoricamente menos vantajosa para o ataque do que a de 1x1. Justifica-se assim que o segundo atacante se afaste do portador da bola de forma a libertá-lo da sobremarcação (cobertura defensiva), procurando reconstituir a situação de 1x1. Caso o segundo defensor não o acompanhe, está então criada uma linha de passe que deve ser utilizada de forma a criar uma situação de 1x0. Este é o princípio da MOBILIDADE.

Entre estas duas alternativas, compete à defesa optar pela menos perigosa. O segundo defensor deve acompanhar o segundo atacante restabelecendo, ainda que em moldes algo frágeis, situações de igualdade numérica (1x1), através do cumprimento do princípio do EQUILÍBRIO.


Podemos verificar, em síntese, que o ataque tem todo o interesse em tornar o jogo mais aberto, com maior amplitude, em largura e profundidade, em criar linhas de passe, de forma a obrigar a defesa a flutuar e a ter maior dificuldade em criar situações de superioridade numérica. Justifica-se por isso aquele que se constitui como o quarto princípio do ataque: ESPAÇO.

Pelo contrário, à defesa compete restringir o espaço disponível para jogar, diminuir a amplitude do ataque, obrigando o adversário a jogar em pequenos espaços, de forma a facilitar a cobertura defensiva e a criação permanente de situações de superioridade numérica. Explica-se desta forma a CONCENTRAÇÃO enquanto quarto princípio de defesa.

Nota Final: Embora não esteja referido no artigo, é unânime o reconhecimento de duas fases fundamentais no sucesso do processo ofensivo e defensivo, e que têm vindo a ganhar mais relevo como alvo de estudo - transições ataque/defesa e defesa/ataque...Serão, pela sua especificidade, debatidas noutra ocasião.

Treino Psicológico! Como fazer! Como treinar! Como tirar rendimento!

Treino, quando falamos nesta palavra, muitas vezes o nosso pensamento direciona-se predominantemente para conteúdos referentes à vertent...